Sérgio Sant’Anna, Carlos Santeiro ou Carlos Sant’Anna?
Publicado por davidfmendes em Setembro 15, 2006
Entrevista com Sérgio Sant’Anna, por Manoela César
O ano era 1978 e o escritor Sérgio Sant´Anna equilbrava-se entre a efervescência da década de 70 e uma série de conflitos pessoais, que, entre outras coisas, envolviam três separações seguidas. Foi quando decidiu dar um tempo no tumulto e recolheu-se no apartamento em que morava para escrever aquilo que entenderia como sendo o romance de sua geração.Ao procurar o ponto de partida de sua história, Sérgio não precisou ir muito longe: criou uma caricatura de si mesmo, o escritor Carlos Santeiro.
Angustiado e repleto de tiradas exageradas, Carlos lhe serviu como catarse, refletindo os medos e desejos de um escritor que vivia a observar e questionar a psicodélica geração do “eu”. “Eu tinha acabado de passar por fases muito turbulentas em minha vida. Até que meu filho veio morar comigo. Dei um freio no tumulto e me concentrei no livro. Comecei a escrever sobre o Carlos como se fosse um desabafo, exagerando sempre, mas exprimindo a visão que eu tinha de tudo aquilo que estava presenciando”, contou Sérgio, que talvez tenha sido o primeiro a vislumbrar a falta de perspectivas em que os intelectuais da época mergulhariam com fim da ditadura:
“Eles a faziam de bengala. Finda a ditadura, o que fariam, o que escreveriam? Eu queria criticar essa postura quase preguiçosa de uma geração classe média que se pautava pela TV. O romance da minha geração era uma novela de televisão, assim mesmo, com rima”, brinca.
No entanto, eis que em meio a tantas críticas e farpas literárias, surge uma jornalista na vida de Sérgio. Uma repórter com quem o escritor se envolveu na vida real o inspirou a criar uma personagem jornalista que desafiaria o potencial literário de Carlos Santeiro.
“Ela é o contraponto”, analisa Sérgio, que, três décadas depois, revisita o próprio texto à convite do roteirista e diretor David França Mendes. E, desta nova leitura, uma revelação: “Fiquei com raiva do meu livro. Se tivesse de escreve-lo agora, não seria tão prolixo”, confidencia.
Embora acostumado a ver suas obras adaptadas para o cinema ( Crime Delicado e Bossa Nova), Sérgio sente gosto de novidade na adaptação proposta por David.
“Não faço idéia de como vai ficar o filme, mas pelo que tenho acompanhado, sei que o David está indo pelo melhor caminho, que é o experimentação. Arte é risco e eu estou apostando alto nesta aventura”.

Ângela disse
Tenho certeza que vc achará o tom correto :*