Para quem pode estar estranhando a quietude deste blog nesses últimos dias, uma explicação. O diretor precisou, e ainda precisa um pouco, tomar distância para poder avaliar o que fazer daqui pra frente.
Cheguei a anunciar, num post anterior, que era isso que eu faria.
Mas eu não esperava uma coisa: que o fim das filmagens me trouxesse uma, como devo dizer?, uma espécie de depressão pós-parto. Esquisita, porque na verdade não houve parto: a criança não nasceu, o filme não está pronto.
Vocês sabem o que é estar sete ou oito horas por dia, durante um mês, fechado num mesmo lugar, com as mesmas pessoas, e pensando sempre no mesmo tipo de questão – como enquadrar isso? pra onde vai a câmera? será que a intenção é essa mesmo? – e de repente nào ter mais esse tempo ocupado, não ter mais esses pensamentos na cabeça?
É um vazio muito esquisito.
Quer dizer, e nem é bem um vazio. Certas coisas ocupam a cabeça. Preocupações sobre as coisas terem mesmo dado certo. Certezas sobre coisas que já sei que não foram bem como eu imaginava, e a dúvida: agora eu vou ser capaz de virar o jogo e transformar o que rolou “errado” numa vantagem? ou alguma coisa ficará necessariamente capenga?
Este é um post quase existencial. Muito difícil comunicar o que eu gostaria de comunicar, isto é, o estado quase que de abandono em que um diretor fica depois de um período intenso de trabalho e criatividade como foi essa filmagem.











